Prático é indiciado pelo acidente do Mercosul Santos em Santarém

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Durante reunião nesta terça-feira (5) em Santarém, oeste do Pará, entre órgãos de segurança e familiares dos noves desaparecidos no naufrágio do rebocador da Bertolini, no rio Amazonas, o diretor do Grupamento Fluvial do Estado, delegado Dilermano Dantas, informou que o prático do navio Mercosul Santos foi indiciado.

O objetivo da reunião que aconteceu no auditório da Estação Cidadania foi de esclarecer como está o andamento da investigação, e principalmente, as propostas de reflutuação da embarcação.

Além de familiares dos nove desaparecidos, participaram da reunião representantes do Grupamento Fluvial do Estado, Secretaria de Segurança Pública (Segup), Corpo de Bombeiros e a coordenação estadual da Defesa Civil.

A investigação

O diretor do Grupamento Fluvial do Estado, que é o responsável pelas investigações do acidente, esclareceu que já foram realizados 14 depoimentos, incluindo os que foram tomados pela delegacia de Óbidos. “O prático do navio Mercosul Santos já foi indiciado. De acordo com os dados que estamos recebendo da gravação do VDR (*)da cabine do navio, há possibilidade de outras pessoas serem indiciadas, pois é possível ouvir com quem os tripulantes falavam e o que eles falavam momentos antes do acidente”, disse.

Os inquéritos que serão aplicados são de crime do risco de segurança da navegação, que está no artigo 261 do código penal, com possibilidade de desdobramento nos artigos seguintes, que são 262 e 263, segundo o diretor do grupamento fluvial. “Com a eliminação de ruídos de novos áudios será analisado por meio da observação da conversa se era possível ou não ter evitado o impacto”.

Após a análise, chegou-se à conclusão que a embarcação seguia um rumo, mas em um determinado momento esse rumo foi alterado por solicitação do prático. “Com a alteração de rumo, é apresentado no radar da embarcação o roda-roda, que é a situação de colisão no meio fluvial, mas ninguém tomou providência para evitar o acidente”, explicou Dantas.

O diretor do grupamento explica que o DVR não grava somente a situação do radar, mas também os áudios da cabine do navio. “No caso do VDR (*) do navio, não houve em momento algum o diálogo de manobra entre o rebocador e o navio. Vamos aguardar a reflutuação do rebocador para analisar o lado dele”, finalizou.

A reflutuação

O prazo para as empresas convidadas apresentarem a proposta de reflutuação do rebocador à Bertolini encerrou nesta terça-feira (5), e cinco empresas foram selecionadas: três americanas, uma holandesa e uma da Dinamarca. Após isso, a Bertolini tem até o próximo dia 15 para apresentar a proposta de trabalho à Marinha. Já a Marinha, após receber a proposta, terá até 72 horas para aprovar o plano de resgate.

Sobre o naufrágio

No dia 2 de agosto, por volta das 4h30min, no Rio Amazonas, nas proximidades da cidade de Óbidos (Pará), aconteceu o acidente entre um navio carregado com contêineres e um comboio formado por um rebocador e nove balsas da Transportes Bertolini que estavam carregadas com milho, proveniente de Porto Velho e destinada às Cidades de Santarém e de Barcarena (Pará).

Houve naufrágio do rebocador. Da tripulação de 11 pessoas, dois tripulantes (César da Silva e Euclinger Silva Costa) foram resgatados e os demais encontram-se desaparecidos.

Fonte: G1

(*) Grifo nosso –  A sigla correta é VDR (Voayage Data Recorder)

Por Redação 

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