Naufrágio na Grécia causa poluição sem precedentes

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Diversas equipes de emergência trabalham na limpeza e contenção do vazamento do óleo oriundo do pequeno petroleiro que naufragou sem deixar vítimas fatais neste domingo nas proximidades da Ilha de Salamina, costa da Grécia, informou a Guarda Costeira do país.

O navio de bandeira grega Agia Zoni II, que possui 91 metros de comprimento por 14 metros de boca, construído em 1972, transportava 2.200 toneladas de petróleo bruto e mais 340 toneladas de óleo diesel para consumo próprio.

Agia Zoni II – Foto: Dennis Mortimer
Local do Naufrágio e manchas de óleo já localizadas

No primeiro levantamento de danos ambientais, foi localizada uma mancha de óleo que afetava uma área considerável localizada ao sul da ilha. Porém, mesmo após as declarações das autoridades de que a mancha estava contida e o casco do navio estanque, a mancha continua se espalhando e diversas praias nos arredores de Atenas já foram interditadas.

O fato mais polêmico que já foi verificado, é o de que somente o Comandante e o Chefe de Máquinas estavam a bordo no momento em que o navio começou a fazer água, quando deveria haver uma tripulação mínima de segurança. Pelo CTS (Cartão de Tripulação de Segurança) da embarcação, a mesma lota 11 marítimos devidamente treinados, qualificados e certificados.

O navio havia sofrido alguns reparos de baixa qualidade, completamente abaixo dos padrões, no porto, visando tapar algumas rachaduras e trincas no casco, e deixou o cais da Aspropyrgos Distilleries com somente dois tripulantes a bordo, segundo declarações do sindicato marítimo local, o PEMEN.

Além disso, o navio não possuía a autorização da Autoridade Marítima da Grécia para operar, o que deve trazer ainda mais complicações.

As autoridades gregas deram declarações contraditórias ao público em relação ao controle e contenção do vazamento, o que aumenta ainda mais a preocupação da população ateniense, principalmente os que residem nas praias afetadas.

Mais de 28 toneladas de resíduo oleoso já foram recolhidas em apenas uma das praias de Glyfada, subúrbio de Atenas, segundo o Prefeito Giorgios Papanikolaou, e a limpeza continuará por pelo menos 4 meses, segundo os especialistas locais.

Pássaro coberto de óleo nas proximidades da Ilha de Salaminia – Foto: Giorgos Moutafis / Reuters

O cenário é desolador, com aves e tartarugas mortas, cobertas de óleo e lindas praias completamente sujas.

Ficou muito claro o despreparo das autoridades locais para lidar com o problema, não somente pelas declarações contraditórias, mas principalmente pela demora na resposta ao acidente.

As causas do naufrágio ainda são desconhecidas e tanto o Comandante como o Chefe de Máquinas foram detidos e autuados por negligência, sendo liberados em seguida para esperarem o julgamento em liberdade.

 

Por Rodrigo Cintra

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