A Venezuela viu sua produção de petróleo cair em trinta anos, mas detém as maiores reservas do mundo, de modo que a agitação política local e uma possível mudança de regime poderiam ser sentidas em todo o mundo. O país detém 17,9% das reservas comprovadas de petróleo no mundo, à frente da Arábia Saudita (15,7%), Canadá (10,0%) e Irã (9,3%), segundo números do grupo petrolífero britânico BP.

“A Venezuela, que estima-se ter 303,2 bilhões de barris de reserva, excede a Arábia Saudita, mas grande parte de seu petróleo é muito pesado, o que torna cara a extração”, observa a Agência Internacional de Energia (AIE).

No entanto, a sua produção entrou em colapso e está agora no seu nível mais baixo em 30 anos. Enquanto o país bombeava mais de 3 milhões de barris por dia (mbd) na década de 1990, produziu apenas 1,339 mbd em 2018, segundo dados da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), do qual o país é membro e este ano detém a presidência rotativa.

Esses números representam uma queda acentuada em relação aos 1,911 mbd produzidos em 2017, indica a OPEP, que se apoia em fontes indiretas, mais confiáveis do que as estatísticas nacionais.

“Derrocada”

O setor sofre de subinvestimento crônico pela estatal Petróleos de Venezuela S.A. (PdVSA). O país tinha apenas 25 poços ativos no final de setembro de 2018, em comparação com quase 70 no início de 2016, de acordo com a Agência de Informação sobre Energia (EIA) americana.

“A indústria do petróleo está em derrocada, a companhia nacional é dirigida por um exército de funcionários do governo, enquanto profissionais qualificados são difíceis de encontrar”, ressalta Tamas Varga, analista da PVM. “As empresas estrangeiras se recusam a se comprometer com projetos por causa dos atrasos de pagamento”, disse ele.

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