A Petrobras estuda trazer a sua produção de gás natural do pré-sal até a costa por meio de cabotagem pelo litoral brasileiro, disse ontem o gerente-executivo de gás natural da estatal, Rodrigo Costa Lima e Silva. Os navios de liquefação (FLNGs, na sigla em inglês) são uma alternativa aos gasodutos marítimos e permitem, ainda, exportar o produto.

Segundo o gerente da estatal, a liquefação flutuante é uma das alternativas avaliadas pela petroleira, para dar conta do aumento esperado da produção. A expectativa é que a infraestrutura atual de gasodutos de escoamento comece a saturar já em meados da próxima década.

Silva explicou que os navios de liquefação são uma opção que combina com as características do mercado brasileiro de gás, cuja demanda é volátil, devido ao consumo expressivo pelas termelétricas. O gerente disse, no entanto, que a companhia monitora oportunidades não só dentro do mercado doméstico, como também opções de comercialização internacional de gás natural liquefeito (GNL).

 “Se nossos projetos [de exploração nas Bacias de Campos e Santos] forem bem-sucedidos, entre 2025 e 2030 vamos precisar de uma nova infraestrutura: gasodutos, unidades de processamento e até mesmo um FLNG para fornecer flexibilidade. Isso porque temos uma volatilidade da demanda termelétrica e nossa perspectiva é que o mercado de gás vai crescer por meio de novas usinas a gás. Estamos estudando soluções que se adequem a essa situação”, afirmou o gerente, durante participação na OTC Brasil, feira do setor de petróleo e gás que se encerrou ontem no Rio de Janeiro.

O executivo da Petrobras disse que a expectativa da companhia é concluir, até 2022, as análises sobre as soluções que serão utilizadas para o escoamento da oferta crescente de gás.

Em 2009, a Petrobras chegou a abrir uma concorrência para contratação de um projeto de engenharia para um navio de liquefação. O processo, na época, não avançou, devido aos elevados custos de implementação desse tipo de solução. Para Silva, no entanto, a tecnologia evoluiu no mercado desde daquele ano.

“Atualmente, no mundo, já vemos alguns projetos que estão fazendo a liquefação offshore. É uma tecnologia que avançou bastante e o mercado já tem um conhecimento maior [sobre a tecnologia] se comparado há dez anos atrás. Mas há desafios enormes para trazer esse tipo de solução a custos mais baixos, no cenário de preço de petróleo e gás cada vez mais desafiadores”, afirmou o gerente da estatal.

Silva disse, ainda, que qualquer investimento da companhia na infraestrutura de gás, daqui para frente, “seguramente” será feita por meio de parcerias com companhias privadas.

Fonte: Valor

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